Ela acima de tudo sempre foi uma garota corajosa, com sonhos estranhos e improváveis como ser jogadora de futebol americano, porém uma das únicas pessoas que a mesma pensou ter o apoio foram as primeiras a enganar entre elas seu primeiro amor. Além disso tudo, a mesma tem seus problemas com o pai e com a madrasta que a julgam muito masculina, mandando-a morar com sua mãe em outro país contra sua vontade, mas o novo país guarda surpresas, principalmente seu novo irmão postiço que parece ser gay, mas com o tempo ela percebe que ele de gay não tem nada!
domingo, 19 de outubro de 2014
Capítulo - 1
- Desgraçada, fora da minha casa agora! - meu pai gritou abrindo as portas do guarda-roupa com violência despejando as roupas de minha mãe sem o mínimo cuidado ao chão. Triste que minha história comece a ser contada desta maneira, porém a realidade é dura, foi neste momento que a vida me mostrava que vim para ser sozinha mesmo eu não sabendo. - Ladra você não tem vergonha na cara não? - agora meu pai grudava os antebraços de minha mãe e a chacoalhava enquanto a mesma chorava.
Eu não entendia o que significava a palavra ''ladra'' apenas entendia os gritos, lágrimas e o som das coisas quebrando, sábia que aquilo era doloroso, mas o porquê, não. Quando nós crescemos as coisas se tornam tristemente esclarecidas.
- Quer saber de uma coisa? - ela gargalhou sarcástica limpando as lágrimas com a manga suja de sua blusa. - Eu não preciso de você, eu ajudei a construir essa merda de casa! Mas não, eu tive que ser burra o suficiente para ter deixado você colocar ela no nome do seu pai... - riu desacreditando em si mesma. - Você e seus pais são egoístas, mas não me importa, eu e a não precisamos de você, até por que há uns tempos atrás você nem acreditava que era sua filha! - o ódio era explicito naquelas palavras e minha mãe veio firme em minha direção puxando-me num solavanco.
Aquele era o momento que repetia-se em muitas famílias, a criança pequena de mãos dadas com a mãe dando a deus ao pai, para sabe se lá quando voltar. Pra falar a verdade minha vida não melhorou muito depois daquilo, só eu não sábia que aquilo era melhor do que o que estava por vir.
Morei durante um tempo com meus avós maternos, enquanto minha mãe viajava para lá e para cá com seu novo namorado cantor, porém depois de um tempo ela foi para a e ai a encrenca começou novamente, meu pai ameaçou a dar entrada na justiça batalhar por minha guarda se minha avó não deixasse-me morar por bem com ele e meus avós paternos, claro que para mim aquilo era ótimo, pelo menos naquela época morar com meu pai era tudo que eu mais queria. E foi o que aconteceu depois da visita de uma advogada a casa de meus avós maternos, muitas coisas foram alegadas o que com certeza faria minha mãe perder minha guarda.
Então meio que obrigados toparam o ''acordo. '' Os anos seguintes não foram os piores da minha vida, porém continuei solitária, mais feliz, nesta época eu ainda não ia à escola, enfim, foram anos bons em minha vida, eu já não tinha tantas complicações de saúde como eu tinha antes, eu chorava todos os dias, mencionei isto? Acho que não, isto fazia-me ficar frequentemente doente, eu não sei se a tristeza contribuía mais era o que acontecia. Amei muito minha avó paterna, e ainda amo claro, isto não quer dizer que eu concorde com muitas coisas que ela fala ou faz, naquela época, ela foi minha salvadora, meu avô também, muitas coisas em relação a eles e a não aceitarem-me como filha do meu pai aconteceram, porém não sei se por remorso eles fizeram tanto por mim, prefiro acreditar que não seja por este motivo.
Dois anos passaram-se e minha mãe anunciou que estava voltando da , eu fiquei muitíssimo entusiasmada é claro, sua volta abalou estruturas, na verdade eu não sei bem o que aconteceu mais ela e meu pai voltaram e desta vez casaram-se pra valer no cartório, preciso mencionar que estava feliz? Claro que não, mas a felicidade durou pouco, em menos de um ano meus pais deram uma desculpa esfarrapada fizeram-me ir ''brincar'' na casa de meu primo e simplesmente fugiram para a , no inicio foi um baque mais superei, tanto é que hoje em dia, posso ser fria como muitos dizem, mas a falta de meus pais tanto faz e tanto fez.
Acabou que depois de três anos meu pai voltou, pois os dois brigaram novamente e desta vez para valer.
[...]
Três anos atrás.
''Early in the morning's when I think about you I hit you like what you sayin' In the morning when I wanna fuck you Yeah, I hit you like what you sayin' I could fuck you all the time I could fuck you all the time''
Era esta música desprezível que tocava no carro dos ''populares'' do futebol americano, lotado daquelas garotinhas metidas em volta, não que eu tivesse raiva deles por serem populares, e sim por eu ter inveja, não essa inveja que você imagina, e sim inveja daqueles garotos poderem jogar futebol americano e eu não, sim reconheço que isso não é um pingo normal, mas é meu sonho.
- Lésbica esquisitona! - um menino que nunca vi na vida zombou de mim.
Sim, as pessoas me chamam assim, para falar a verdade até gosto, tenho penas de eles pensarem que me ofendem.
- Valeu ai o Zé ninguém, o dia que eu saber seu nome nós trocamos uma ideia!
Respondi ao ''insulto'' de forma sarcástica, enquanto umas garotas passavam ao meu lado fitando-me enojadas. ''Nossa olha os palavreados dela... '' Eram esses os murmúrios que as garotinhas comentavam, eu apenas revirava os olhos e enfiava a mão no bolso torcendo para que um piano caísse na cabeça destas pessoas, assim como nos desenhos animados.
Não, não sou uma pessoa revoltada com a vida, apenas gosto de ser o que eu sou, e isso inclui não levar desaforos para casa.
[...]
- Vamos às duplas. - iniciou a professora, o burburinho começou na sala com todos querendo fazer dupla com ditas pessoas, o que era deprimente para mim já que minha amiga não tinha esta aula junto comigo, isto que era o péssimo em high school. - Eu vou escolher as duplas estrelinhas, então acho melhor ficarem em silêncio.
Um sonoro e uníssono ''Ahhh'' foi ouvido na sala.
- Jaidyn e Thomas, Danica e Jasmine... - nossa simpática professora foi ditando as ditas cujas duplas, preciso dizer que aquilo era extremamente broxante? - e ... -
Quando ouvi meu nome percebi que a sala toda ficou em silêncio e só as reclamações do tal foram ouvidas.
- Qual é professora, só por que ambos somos s temos que fazer dupla juntos?
O cenho do fulano estava franzido e era visível sua raiva, até eu teria raiva de fazer dupla com minha pessoa, afinal não ligo se meu companheiro de trabalho esteja morrendo, a não ser que seja minha melhor amiga.
- Alto lá guri, não sou , caso não saiba, nasci aqui mesmo em Calgary.
Respondi a seu ''insulto''. Ser chamada de não era um insulto, o insulto era ele usar esse artifício para querer se livrar da minha ótima companhia.
- Então professora...
O audacioso ousou me ignorar, aquilo ferveu meu sangue.
- , você não domina bem o inglês, é essencial para você que, por favor, sente com a , assim se você não entender algo ela lhe explica em , não seja difícil garoto.
A professora estava sem paciência, até mesmo eu ficaria lidando com um arrogante como esse , espera eu já estou sem paciência.
- Não vou ajudar professora, sugiro que esse retardado se ferre sozinho, não faço nenhuma questão. E mais uma coisa, não faço questão de fazer dupla com ninguém aqui da sala, por isso queridinhos, não sintam-se obrigados, também não gosto da companhia de vossas senhorias.
Mandei meu melhor sorriso e alguns ficaram boquiabertos e o resto sérios.
- Pois agora eu faço questão de fazer dupla com você!
Ditou aquele fuzilando-me, ok por essa eu não esperava.
- De jeito nenhum palhaço mirim.
Devolvi o olhar de raiva para o mesmo que rangeu os dentes.
- Chega , não sei o que deu em você hoje, se é por que o horário da Anya mudou e não bate mais com o seu, porém eu sugiro que você volte ao seu normal e se controle. - respirou fundo sentando-se na cadeira, alguns alunos riram pela bronca. - , por favor, ajeite um lugar ao lado de sua nova companheira.
A professora sorriu com o olhar, fazendo-me corroer de raiva.
- Olá amiguinha. - sorriu prepotente ajeitando sua mesa ao meu lado. Limitei-me a respondê-lo. - Você é sempre assim amargurada? - riu da minha expressão.
Acho que eu era piada para todo mundo mesmo.
- Com pessoas como você? - arqueei a sobrancelha. - Sim, sou obrigadinho. - ri sarcasticamente.
- Ok né... - riu novamente abrindo a apostila. - Então, sei que já me odeia, mas me ajuda com esse texto aqui.
- Não. - revirei os olhos.
- Garota difícil... - suspirou pesado enquanto tirava o celular do bolso respondendo a uma mensagem. - Você usa o facebook?
Perguntou-me com um sorriso inocente e suspeito.
- Não. - respondi seca.
É preciso dizer que hoje era um dos dias mais irritantes da minha vida? Ficar ao lado desse garoto bipolar era deprimente.
- O que você gosta de fazer? - perguntou sem tirar os olhos da tela do aparelho.
Limitei-me a responder novamente, mas desta vez fui surpreendida com o maluco pegando meu caderno.
- Ei o que está fazendo? - rosnei tentando pegar de volta meu caderno.
- Já que você não me responde, verei se acho alguma informação aqui. - riu debochado de minha feição completamente irritada.
- Para quem há poucos minutos não queria fazer dupla comigo, não acha que está intrometido de mais? - arqueei a sobrancelha desafiadora.
Aquele besta era mesmo estranho.
- Olha só, você gosta de futebol americano... - ele gargalhou enquanto olhava as figurinhas coladas na parte interior da capa, o que chamou a atenção das pessoas da sala.
- Cala boca pateta! - de um tapa em sua nuca puxando meu caderno de volta.
- Eu posso te ajudar quanto a isso, se você me ajudar nas matérias. - sorriu de forma insana.
Como se aquilo fosse uma proposta psicopata, garoto estranho.
- Caso você não saiba, não sou nerd, minhas médias são sete, então tira seu cavalinho da chuva, por favor, e como assim pode me ajudar? - cerrei os olhos franzindo um pouco a boca.
- Com o futebol sabe, eu jogo e... - riu. - Eu poderia sei la, ajudar, mais já que você descartou todas as possibilidades... - assobiou baixo voltando à atenção para sua apostila.
- Como seria essa ajuda? - meu interesse aumentou e eu queria morrer por isso. - A esquece, sei la você disse que não queria e tal... - continuou a assobiar mudando a página da apostila.
Aquilo ferveu meu sangue, o maldito estava jogando comigo.
- Posso ver o que fazer por você... - sussurrei e o mesmo virou-se todo sorridente para mim.
- Ótimo! - seu sorriso era perverso, aquilo era bizarro, mais lindo.
Até agora não mencionei que este menino era muito bonito mencionei?
[...]
Aquela foi a primeira de longas e muitas conversas que tive com , com o tempo ele tornou-se meu amigo, sempre me ajudou com o futebol até que consegui autorização da diretoria para entrar na equipe, mesmo com praticamente todos os outros membros do time contra a ideia, tornou-se um porto seguro para mim.
[...]
- Você sabe que não pode fazer isso. - o treinador fez-me tentar desistir novamente.
Aquele era o quinto jogo que eu participava, e mesmo assim ninguém botava confiança em mim.
- Sim eu posso e vou. - proferi decidida.
- ... Por favor... - pediu um pouco relutante.
Mas ele sabia que não funcionaria. O esquema foi o de sempre, o nosso próprio time foi dividido em dois, e lógico que ninguém queria ficar comigo no time, por isso eu era sempre a última a ser escolhida. O jogo começou, e eu estava tensa como sempre, estava no time adversário e fitava-me intensamente com preocupação, que eu achava desnecessária e repudiava.
Josh do mesmo time que passou por baixo a bola para Matthew que correu até a linha dez arremessando a bola a outro jogador que estava na linha quinze, todos correram em direção ao garoto inclusive eu, o que eu não esperava é que o próprio garoto do time adversário jogou a bola para mim aquilo era estranhamente esquematizado e foi ai que percebi tudo assim que encarei e vi em seus olhos o medo eminente, ele sábia!
Essa e todos os rapazes do time adversário vindo como búfalos em minha direção foram as últimas coisas que vi para em seguida apagar.
[...]
- A pequena lésbica acordou... - falou minha madrasta com a maldita voz de nojenta. - Você não tem juízo mesmo né menina? Futebol não é para garotas!
Aquela voz de nojenta que ela tinha quase estourava meus tímpanos, queria ter um tijolo agora para tacar na fuça dessa naja.
- Escuta aqui prostituta de botequim, eles armaram para mim ta legal? - apertei os olhos com força. - Não sei o que está fazendo aqui, então faça o favor de se retirar. - gritei pegando a bolsa da desgraçada que estava em cima da cômoda tacando na cara da mesma.
- Estou aqui para fazer fama de boa mamãe para seu pai, obs. não sei como ele te suporta pequeno monstrinho transexual.
Rangeu os dentes levantando da cadeira virando em seguida aquela bunda de dona turbina em direção a minha face.
- Não sei como meu pai TE atura! - devolvi aquela antes dela fechar a porta com força atrás de si.
Que ótimo, que incrível, perdi o jogo, perdi minha oportunidade, descobri que nunca foi meu amigo, acordei com a vadia da mulher do meu pai ao meu lado e de brinde estou nessa enfermaria sentindo esse cheiro horroroso de produto de limpeza barato.
- ...
Escutei uma voz feminina atrás da porta que eu reconheceria a distância, um sorriso brotou em minha face, pequenas coisas como a visita de Anya poderia fazer-me menos ferrada nesta manhã.
- Anya? - chamei a mesma com esperança.
- Ai amiga o que fizeram com você? - perguntou indignada fechando a porta de correr atrás de si.
- Sabe, pularam em cima de mim, queriam suruba, porém descobriram que não tenho uma peteca. - sorri largamente fazendo piada do meu estado mais deplorável.
- Como pode fazer piada de um momento desses sua cretina?
Tentou evitar mais não aguentou e começou a gargalhar, eu a acompanhei é claro.
- Ok, ok falando sério... - tentei parar de rir. - Eles armaram para mim, e o estava no meio.
Agora o impossível foi rir. Eu realmente achava que fosse meu amigo, que até sentisse mais que amizade por mim, assim como eu sentia por ele...
Flash back on
- O que você esta olhando?
Perguntei meio rude como sempre. nada respondeu apenas ficou fitando-me, intercalando o olhar de meus olhos a minha boca.
Flash back off
- Terra chamando ... - gritou Anya em meu ouvido.
- A é... - sorri sem graça tentando recuperar o fio da meada. - O treinador veio mais preocupado que o normal comigo tentando me fazer desistir do futebol, e o me olhava com pena e com medo. - respirei fundo controlando-me para os sentimentos não aflorarem muito.
- Aquele desgraçado... - falou entre dentes. - Eu já volto . - disse com ódio fechando a porta com mais força que minha madrasta naja.
Decidi seguir Anya para ver o que esta maluca iria aprontar, ignorando o fato que eu estava parecendo o fantasma da ópera.
[...]
- por que você deixou que ela percebesse? - sussurrou ela com raiva. - Por quê? - perguntou um pouco mais alto agora.
Me escondi um pouco mais na parede a fim de evitar que qualquer um deles me visse.
- Eu estava preocupado Anya, desculpa amor não deu pra evitar... - suspirou apertando as temporãs.
Amor? Como assim?
- Eu sei que se preocupa com ela mais você deveria ter atuado melhor, agora ela esta lá toda chateada por que acha que o amor platônico dela nunca gostou dela de verdade... - revirou os olhos.
Mas o que? Meu sangue fervia de ódio neste momento, a biscate da Anya sábia de tudo?
- Nunca gostei dela e nunca irei gostar você sabe sapatonas farsantes, não fazem meu tipo. - riu sedutor e beijou os lábios de Anya.
Aquilo fez minhas veias latejarem, porém fui incapaz de intrometer-me.
- Ela é uma pobre coitada que ninguém leva a sério. - Anya riu acompanhada de um sorriso sem graça de .
- Que ótimo né. - criei coragem e mesmo com a garganta inchando com o choro, enfrentei eles de cabeça erguida.
- ?! - os dois perguntaram em uníssono apavorados.
- Não, não sou o coringa do Batman, fugi da cadeia. - sorri sarcástica dando as costas ao belo casal de falsos.
N/A: Obrigada por ler, e ser esta pessoa maravilhosa kkk, até os próximos capítulos!
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